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Brasília – Prólogo

Pude, com muita alegria, neste último final de semana, atender ao convite da minha amiga Kaká e de seu maridex Felipe – baianos de nascimento, há poucos anos residindo na capital federal. Tudo começou há alguns meses, na Internet, onde eu vinha pesquisando algo como a “passagem perfeita” (de preferência gratuita). O objetivo foi parcialmente atingido, com um trecho a 5,00 Reais e o outro a 200,00. Comprei uma para mim e outra para (ca)Bêça – ambas na Gol (o Grande Ônibus Lotado), que ofereceu boas promoções e serviços, diga-se de passagem, com o perdão do trocadilho.

Tudo pronto, partiríamos na sexta, dia 16 de maio, quando pegaríamos o vôo das 19h20min. Tudo certinho: bagangens arrumadas, mulher penteada, e carona arranjada: meu pai Gerson (“Geuso” para os íntimos) e minha mãe Fernanda nos levariam ao ALÉM (Aeroporto Luíz Eduardo Magalhães). As coisas pareciam tranquilas – eu havia almoçado com meus camaradas do trabalho (Mateus, Cleyton, Amélia, Waldélio e Nilson), matei o serviço à tarde e fui me arrumar sem pressa, para não ter estresse.

Mas a vida é dura e cruel nesta cidade… Nada é simples na Salvador dos infernos, cujas autoridades avalizam qualquer tipo de absurdo que o poder econômico possa comprar. Não obstante o desmatamento criminoso na minha vizinhança – o ex Horto Florestal, agora Horto Predial – há caminhões espalhados por todas as vias urbanas, obras sem canteiro e em área de preservação, total falta de educação da população e desrespeito às normas da boa convivência. Sorte que não fomos assaltados nem assassinados, mas fomos obrigados a enfrentar um engarrafamento de uma hora e meia da minha casa até o ALÉM.

No limite do horário, portanto, nos aproximamos do aeroporto. Antes que pensássemos em suspirar de alívio, porém, eis que me aparece um ônibus conduzido por um verme doentio, que só não nos atropelou com carro e tudo porque a Bêça soôu o alarme, fazendo com que Geuso desse uma forte guinada à direita, evitando o acidente. Ainda tentei pegar um CD para jogar no ônibus – como fizera antes com outro sacana que abusou da minha bondade – mas abortei a tentativa, uma vez que eu só estava portando meu CD original do André Matos e outro clássico do Roxette, que jamais jogaria fora.

Apesar de tudo, nosso santo era forte. Entramos no aeroporto, corremos ao guichê da Gol, que já se encontrava vazio, despachamos as bagagens e embarcamos. Não deu tempo nem de se despedir do meu pai, que estava estacionando o carro. Dentro do avião, apesar de devidamente medicado, meu nervosismo começou a atuar: “será que teríamos uma boa viagem? Já tínhamos passado pelo o pior ou ainda teríamos novidades?” A resposta, só o tempo daria. Sentei, afivelei o cinto e, como um bom ateu, rezei uma Ave Maria, um Pai Nosso e pedi a todos os meus antepassados que nos dessem uma boa viagem.

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